Um bando de macacos que se julgam melhores do que os outros macacos; e que às vezes se sentem menores do que estes outros macacos, que por sua vez perdem muito tempo no alto de suas árvores refletindo o que são, se macacos ou outra coisa menos vulgar, arrecadando a própria sinceridade para se convencer dum monte de mentiras: que sabem amar, que são inteligentes, que são imortais e que tudo é relativo. Menos, é claro, o próprio limite, o individuo macaco, cuja liberdade maior será, até o fim dos dias, a própria capacidade de pensar em silêncio. Incluímos aqui até ele, o macaco poeta, que é aquele que se acha sábio por entender que tem alguma coisa faltando nele e nos outros macacos, uma parte muitíssimo abstrata mas que existe sim!, e ele tem de encontrá-la. Nunca irá. Eis o erro do macaco: achar que seus semelhantes sentem igual. Pois existem macacos que não dão a mínima pra isso. Há uns que nunca pensaram a respeito e vão morrer sem pensar. E tem ainda outros que pensam e sentem, mas têm força de vontade o suficiente para ignorar. O macaco poeta costuma dizer que esta parte cedo ou tarde vai faltar em você, nele e nela também, caros amigos macacos. Pobre macaco poeta, ameaças não fazem efeito como antigamente. Só o resta saltar para a árvore mais distante de todas, só para que os outros macacos notem sua ausência e pensem: ali está um macaco sábio, diz coisas belíssimas que ninguém entende. É, de fato, um macaco poeta.
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