terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Se pudéssemos ver como as águias

Então olharíamos no espelho e veríamos uma imagem gigantesca e terrível em seus detalhes. Mais do que isso: veríamos nosso rosto tão de perto, os poros como vulcões, a sobrancelha como uma floresta de árvores estranhas, o olho como um planeta misterioso... veríamos, talvez, pequenos seres caminhando, promovendo a lenta e constante decomposição a que estamos condenados... Sofreríamos para localizar, no meio de tantos detalhes, aquele que costumávamos ser, com todos os traços característicos, o fenótipo, o timbre da aparência, composto do oposto do avesso do real. Pensaríamos, enfim, que quanto mais nos conhecemos, mais diferentes do que pensávamos ser nos descobrimos. Mas isto, obviamente, é uma falácia. Espelhos são amuletos sagrados e objetos de maldição, como tudo mais que reflete a nossa imagem e semelhança.

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