A noite assusta. Brotam cravos destas janelas cujas frestas não permitem que o amor entre. Sentado sobre um balancinho, está o ventríloquo, ladeado pelo seu mamulengo, que apenas dorme.
Ele exclama:
– Eu quero cegar, pra enxergar melhor esta escuridão que me abate! De onde vêm os tiros? Quem me têm como alvo de ódio? Que aposta, Deus, fizeste dessa vez com Satanás? Porque eu? Porque não o padeiro da esquina, que bate na mulher? Porque não o Teobaldo bombeiro, que deixou de salvar aquele menino? Porque não Dona Matilde, que tem voz de grasna? Porque não a filha desta mesma Dona Matilde, que é igual? A única vez que tive sorte, meus cravinhos, foi no dia em que tive tanto azar que a desgraça se tornou impraticável pro universo! Ai de mim! Devo ser reencarnação de todas as vilãs de novelas mexicanas! Devo ter em mim mais demônios do que aqueles porquinhos que rumaram pro abismo! Que se revele quem me malda, pois sei que tem poderes de um deus! Que se revele! E terá sido este o único momento feliz de toda minha vida!
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